Maués, onde fica, como chegar e o que vai encontrar

Fragmentos do Livro Maués, Contos e Lendas de Aldemir Bentes


LOCALIZAÇÃO






Maués é uma pequena cidade do interior do Estado do Amazonas, distante (258 quilômetros, em linha reta) da capital Manaus, 18 horas de barco e 45 minutos de avião, fica localizada na zona do Médio Amazonas, situada à margem direita do rio Maués-Açu, chamado pelos habitantes de rio Preto. Conhecida como “Terra do Guaraná” está a 25 metros de altitude (a sede) e possui uma área de 40.164 Km2. Dois distritos compõem o município: Osório da Fonseca (Paraná do Urariá de cima) e Repartimento (no rio Maués-Açu).


O município de Maués limita-se com os seguintes municípios: Boa Vista do Ramos, Barreirinha, Itacoatiara, Borba, Nova Olinda do Norte, Apuí e o Estado do Pará (Itaituba). A população estimada é de 52 mil habitantes (Censo 2010), entre zona rural e urbana. Maués possui 21.924 eleitores em 70 seções eleitorais. (Fonte: Cartório Eleitoral – Setembro de 2003)


Possui infinitas belezas naturais: rios, lagos, igapós e praias. O seu principal e mais conhecido produto é o guaraná (domesticado pelos índios Mawé). Em homenagem a esse produto, criou-se a Festa do Guaraná, que acontece anualmente, sempre na segunda quinzena de novembro. Para celebrar a beleza de suas praias, promove-se durante a semana da pátria, em setembro, o Festival de Verão. Também fazem parte do calendário festivo de Maués, o Carnaval Popular, a Festa do Divino (no mês de maio) e a festa da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, no mês de dezembro.


Conta com vários barcos de linha: Dom Jackson, Elizabeth III, PP 2001, PP 2002, PP 2003, Calipso e PP Maués, I e II, que saem de Manaus sempre às 17 horas, assim todos os dias da semana sempre há um barco saindo para Maués e vice-versa. *Se preferir, existem vôos de segunda a sexta-feira no trecho Manaus-Maués-Manaus.



ESCALA DE BARCOS DA LINHA MANAUS/MAUÉS/MANAUS.

Segunda-feira Sai de Manaus para Maués *Lady Cristhina - Sai de Maués para Manaus **PP Maués II


Terça-feira Sai de Manaus Para Maués P P 2001 - Sai de Maués para Manaus PP Maués


Quarta-feira Sai de Manaus para Maués P P 2002- Sai de Maués para Manaus Elizabeth III


Quinta-feira Sai de Manaus para Maués PP Maues - Sai de Maués para Manaus Lady Cristhina


Sexta-feira Sai de Manaus para Maués PP Maués II - Sai de Maués para Manaus P P 2002


Sábado Sai de Manaus para Maués Elizabeth III - Sai de Maués (12 h)  PP Maués***


Domingo Sai de Manaus para Maués PP Maués - Sai de Maués para Manaus P P Maués II
*Lady Cristhina, é todo em ferro, substituiu D. Jackson, entrou em operação setembro de 2010.
** PP Maués II, réplica do PP Maués, entrou em operação em agosto de 2010.


*Sugerimos consultar, pois de tempo em tempo os dias de vôos são mudados e às vezes, até suspensos.


***PP Maués é todo construído em ferro, mede 45m de comprimento por 10m de largura e entrou em operação em novembro de 2007, na festa do Guaraná. Aos sábados o horário de saída de Maués são às 12:00 h


Horário de saídas de Maués: 18 h


Horário de saídas de Manaus: 17 h


Data Base: fevereiro de 2007.


Nota: A partir de novembro de 2001 chega-se ao município no mesmo dia, utilizando a lancha rápida. O passageiro apanha o ônibus na rodoviária de Manaus às 6:00 horas e chegando até o município de Itacoatiara se utiliza a lancha rápida e chega às 17:30 horas em Maués. Os dias de viagens são: Terça-feira – Manaus- Maués, Quarta-feira – Maués-Manaus, Sexta – Manaus-Maués e Domingo – Maués-Manaus, o horário de saída são às 11:30 horas e chegada às 20:30 horas.


A cidade tem serviços de telefone (DDD e DDI), fax, Internet (acessada pela maioria de usuários, via satélite, modem da operadora VIVO), processamento de dados, correio, 04 canais, via satélite, de televisão (TV Globo, Amazonsat, Record e Rede Vida), 03 emissoras de rádio (Rádio Guaranópolis-AM, Rádio Independência – AM - fone 92 3542 1897 e Rádio A Crítica-FM - fone 92 3542-2083). Quatro agências bancárias, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Caixa Econômica Federal e BRADESCO, ex-BEA. Não existe transporte coletivo, o transporte de passageiros é feito por táxis ou motocicletas, os chamados moto-táxis.


O visitante pode se hospedar no Miramar Hotel ((92) 3542-1309, Maués Praia Hotel, Pousada Marupiara, Pousada Panorâmica, Hospedaria Popular Guaraná Hotel. Almoçar no Helber Lanche, Sabor do Campo (fone: (92) 3542-1446), Restaurante da Zélia ou no Restaurante Tambaquí.. O Guaraná Puraka possui grande variedade de produtos da cultura indígena e regional e o famoso e puro guaraná do índio, além de servir o suco de guaraná natural e com vários sabores. O Guaraná Puraka fica na Av. Dr. Pereira Barreto, o seu proprietário, Waldo Mafra BARRÔ, é um grande estudioso e conhecedor das ervas amazônicas e da cultura indígena.


Mais uma opção de lazer e compras foi aberta na cidade a partir de 2006, inaugurou-se a Praça de Alimentação no antigo espaço da Praça Otacílio Negreiros. O Espaço é servido por bares, lojas e lanchonetes, funciona diariamente.

ORIGEM

O primeiro escrito sobre Maués, data de 1561, onde um padre espanhol relata em sua crônica, um estranho costume do povo do lugar. Tomavam uma bebida preparada cuidadosamente, oriunda de umas frutinhas coletadas na floresta e raladas na pedra de basalto, com gosto amargo e estimulante. Era na verdade o guaraná, como ainda hoje se repete os mesmos costumes nos lugares mais primitivos do nosso município.


Fonte: Informativo “CULTUAM” (Centro de Preservação da Cultura, Arte e Ciências de Maués)


A cidade de Maués foi fundada em 1798, por Luiz Pereira da Cruz e José Rodrigues Preto*, com o nome de Luzéia. Em 1833, por força do Ato de 25 de Junho de 1833, foi elevada a categoria de Vila, daí a criação do município e do termo judiciário.


Obs: * Há controvérsia quanto ao nome de José Rodrigues Preto, pesquisas recentes (2003) efetuadas pelo pesquisador e escritor Alciney Pimentel, dão conta de que alguns autores citam o nome como correto José Rodrigues Porto.


Ao criar-se a Província do Amazonas, em 1895, era Luzéia um dos quatro municípios existentes, além de Manaus, Barcelos e Tefé. Maués, sobretudo, está na história através de suas lutas e tradições, sua arte e a cultura dos povos que habitam suas terras (…)


(Fonte: CULTUAM)


Através da Lei nº. 35 de 04 de novembro de 1892, deram-se ao município e sua sede, o nome de Maués. Pela Lei – 133 de 05 de outubro de 1895 foi criada a Comarca de Maués, sendo instalada, somente em 09 de março de 1896.


Nota: Houve uma época em que surgiu um movimento sugerindo trocar o nome de Maués para Guaranápolis, palavra derivada do substantivo guaraná.

Segundo historiadores, Maués surgiu da tribo Çateré-Mawé, primeiros habitantes da região e que viviam em constantes e intermináveis batalhas com os índios Mundurucus, Campineiros e depois com os portugueses que aqui chegaram. Vestígios dessa antiga civilização é que não faltam na cidade e em várias localidades do município. Antes do asfaltamento das ruas Tito Leão, Adolfo Cavalcante, Floriano Peixoto e Dr. Pereira Barreto era comum encontrar grandes urnas (pote) feitas de argila enterradas no chão. Achados recente na comunidade Vera Cruz, em frente a Maués, comprovam essa versão, já que foram encontrados potes de barro, e dentro deles, figuras de animais e ossos, que se acredita, serem humanos, deduzindo tratar-se de um antigo cemitério indígena.


Na comunidade do Canarana, próximo de Maués, no Paraná do Urariá de Cima, existe um imenso parque arqueológico a céu aberto. As evidências estão por toda parte, na superfície da terra. Entretanto, nenhuma autoridade até então, tomou providências no sentido de interditar a área para que se faça um estudo mais profundo e técnico das peças cerâmicas ali existentes. Desse estudo, poderíamos ter conhecimento de que povos habitavam aquela vasta região, há quantos anos essa civilização existiu e muitas outras respostas no momento vagas.


Em recente pesquisa (2006) feita pela Secretaria de Turismo do Município, foram catalogadas outras localidades com o mesmo potencial arqueológico do sítio do Canarana. Outra curiosidade é que os locais onde se localizam esses sítios, o solo é composto de terra preta.


Nota: O nome Çateré, escrita com “Ç’ e não com ‘S’, foi sugerida e instituída pelo poeta Thiago de Mello, quando da verificação dos originais desta obra”.


Nota: Às peças cerâmicas achadas no local, divergem da cultura e do artesanato atual dos índios Mawés. Os achados retratam figuras de animais e rostos humanos, mas a fisionomia é asiática!(talvez chinesas), existe até a retratação de um Buda (ver foto à página 16). As conclusões preliminares levam a supor que esses habitantes foram os pré-antepassados (pré-colombianos) dos índios Mawé, haja vista que os índios de hoje não fabricam artesanato em cerâmica, usam em seus trabalhos, fibras vegetais, madeira, sementes, penas, ossos e caroços. (Opinião do autor)


Alguns desses exemplares estão em exposição no museu CULTUAM em Maués, à Av. Dr. Pereira Barreto, 404 – Centro – CEP-69.190.000 – Fones: (Oxx92)542-1493 – 542-1263 e Fone/fax-(0xx92)542-1520.



Os descendentes dos Çaterés são exímios artesãos, fabricam teçumes com fibras de arumã (peneiras, pau-de-chuva), cipó ambé (paneiros), cipó titica (cestas, baús, amarrações de caibros, etc.), jacitara (tipití). Produzem colares, pulseiras e outros adereços, utilizando penas, ossos de animais, âmago de pau, sementes e caroços dos frutos das palmeiras de tucumã ou inajá. A agricultura era, e ainda é, somente de subsistência, entretanto, ainda hoje dominam a autêntica e milenar cultura do guaraná; do plantio a preparação da bebida sagrada, o çapó, que segundo acreditam, tira a fome, o cansaço, rejuvenesce e alonga a vida. O çapó é indispensável em seus rituais: dança da Tucandeira (que significa a passagem do curumim para a puberdade e somente os homens a praticam, ficando as “cunhantãim” (mulheres, moças) isentas de tal ritual) e May May (ritual de agradecimento à natureza). O çapó é preparado com o guaraná já em bastão após passar por um longo processo de transformação, é ralado em uma pedra de cobalto ou língua de pirarucu (peixe amazônico), adicionado água e servido em cuia. Cabe a esposa do dono da casa prepará-lo. Depois de pronto o dono da casa dá o primeiro gole, passando a cuia aos demais convidados, esse ritual pode levar vários dias e o que não pode faltar é o çapó.


O guaraná é um arbusto, seus frutos em forma de cacho, quando maduros, são parecidos com o olho humano. Daí a lenda de que o guaraná surgiu dos olhos de um curumim mawé. Esta é uma das versões, existem outras. Toda a cultura Çateré,origem,lendas e crenças estão escrita (espécie de hieróglifos) no remo sagrado chamado Porantin, uma escrita milenar decifrada e entendida por um seleto grupo de antigos pajés e velhos tuchauas. O melhor guaraná do mundo é produzido pelos Çaterés, no Rio Marau (rio dos sapos) e no Rio Andirá, onde ficam suas reservas. As reservas ficam em dois municípios, o Marau, pertence a Maués e Andirá ao município de Barreirinha.


Mesmo com muitos anos de contato com o homem branco, eles relutam em preservar sua língua (falada, existe pouco da língua escrita, esta introduzida pelo homem branco) e cultura.


Guaraná: Paullínia cupana, variedades sorbiles. Em mawé: Waranã que significa, parecido com os olhos.

12 comentários:

  1. achei um máximo esse seu comentário sobre maués,vc soube realmente demonstrar esse municipio q ate então ninguém conhecia exceto os amazonenses...a localização muito bem explicada, sem contar com os transporte q vc cito, tudo verdadeiramente dito...valeu pelo carinho por maués!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Adorei as informações sobre Maués. Conheci essa cidade tão linda nos anos 1987/1988. Pretendo voltar para conhecer os festivais.

    ResponderExcluir
  3. Caro amigo,tenho dois filhos pequenos(2 e 6 anos) e gostaria de saber qual o barco mais confortável para irmos à Maués com segurança?Grato.Hercules Lima

    ResponderExcluir
  4. Amiga Cinthia,
    Os barcos PP Maués I, PP Maués II e Lady Cristhina, são construídos em ferro, são de grande porte, seguros.Você pode consultar os dias que eles saem de Manaus para Maués, nessa página, logo acima. Seja bem vinda a Maués e curta a vontade as nossas praias.

    ResponderExcluir
  5. Ao ler esse belo, e muito bem escrito texto, fiquei com uma sensação enorme de saudade e de que sou um pouco amazonense, ou melhor, mauesense. Sou pernambucano(recifense), dentista e estudante de medicina, morei em Maués de Janeiro a Maio de 2006, e disse a mim mesmo que voltaria o quanto antes, para nadar no Maués-assú, tomar um tacacá,comer um pato no tucupi, um tambaqui na brasa... Ainda não voltei... Alguns amigos não moram mais aí, outros permanecem. Sempre que posso procuro me informar sobre a cidade, as pessoas e a cultura local.
    Saudades do amazonas e das pessoas daí!!!
    José Lourenço de Lima Cavalcanti(email- jldentista@yahoo.com.br)

    ResponderExcluir
  6. Caro Ademir , me chamo Alan e cheguei ate ao seu blog e pretendo ir ate Maues em Out/2011,.conhecer a fazenda Santa Helena sou do Rio de Janeiro, depois pretendo ir a Parintins gostaria da sua informação de há barcos de maues a Parintins e o tempo de percurso meu email alan.stowasser@gmail.com ,..desde ja agradeço sua informação.

    ResponderExcluir
  7. Gostei muito dos comentários e do blog, pois fico sabendo mais um pouco dessa terra boa...

    ResponderExcluir
  8. Ola, adorei o texto, sei que faz tempo que foi escrito. Gostaria de saber que tipo de acesso a internet se tem em Maués: ADSL, Discada, Via Radio, Satellite.

    Muito bom o texto, as explicações. Abraço PARABÉNS

    ResponderExcluir
  9. Muito bom, estava precisando esclarecer algumas informações e o blog me ajudou muito =)

    ResponderExcluir
  10. Ola , gostaria de saber qual tipo internet voce utiliza , pois , estou procurando alguma internet rapida para usar na cidade ?

    ResponderExcluir
  11. Olá, gostaria de saber se o único acesso a itacoatiara é feito por barcos?
    Marcia.

    ResponderExcluir

Comente essa matéria.Comentários alheios ao assunto ou que agridam a integridade moral das pessoas, palavrões, desacatos, insinuações, serão descartados.

SIGA ESTE BLOG