domingo, 23 de outubro de 2011

Indígenas sateré-mawé e ribeirinhos estão em conflito por terras em Maués

Lideranças indígenas dizem que moram há 30 anos no local e solicitaram ação da Seind, da Funai, do Incra e do Iteam

Manaus, 21 de Outubro de 2011
ACRITICA.COM
Dezesseis famílias indígenas da etnia sateré-mawé temem ser expulsas de suas terras (não-demarcadas) por ribeirinhos do município de Maués (a 267 quilômetros de Manaus).

Para evitar um conflito maior, a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) vai intermediar uma reunião marcada para a próxima semana, no Instituto de Terras do Amazonas (Iteam).
Segundo a Seind, os indígenas alegam que não podem ser retirados pelos ribeirinhos, porque moram e trabalham há quase 30 anos na área de aproximadamente 15 mil metros quadrados, localizada no rio Arauá, de onde tiram o sustento com a produção de guaraná.

O problema atinge diretamente os moradores das comunidades Menino Deus e São Benedito, num percurso que vai até a parte conhecida como açaizal.
O caso foi apresentado nesta sexta-feira (21) ao Departamento de Atendimento aos Povos Indígenas (Dapi), durante as atividades de atenção jurídica integrada e centralizada na Seind, com a cópia de um documento expedido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) atestando que a terra é do Governo do Estado.
Os indígenas foram atendidos pela Defensoria Pública da União, que providenciou um ofício para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) mande um representante à reunião.

Produção

As 16 famílias que trabalham com o guaraná tiveram um aumento na produção nos últimos anos, o que, segundo elas, tenha sido o motivo da revolta dos ribeirinhos. Até um abaixo assinado teria sido feito para retirá-las da localidade.
Mais de 1,3 mil quilos de guaraná são comercializados a preços unitários de R$ 40 (talo) e R$ 60 (moído), de acordo com o cacique Luís Sateré, que é assessor da comunidade de São Benedito.

'Colapso econômico'

Um dos indígenas que lutam para ganhar o direito de ser dono do local é o cacique Otávio dos Santos Sateré, que vê como prioridade a legalização da terra em questão, sob pena de haver um "colapso econômico" dentro das próprias aldeias.

“Nós trabalhamos durante sete anos ao lado deles e nunca houve problema”, afirmou o indígena. “Agora que nossa comunidade aumentou a produção eles começaram a desmatar para acabar com tudo e tomar conta da área”, denunciou.


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